*Por Rosely Schwartz

Estamos há menos de um mês de um dos eventos mais aguardados pelos brasileiros, a Copa do Mundo, e os condomínios muitas vezes se transformam em pontos de encontro entre amigos, famílias e vizinhos. Assistir aos jogos em grupo, confraternizações e comemorações fazem parte do clima do torneio.

No entanto, junto com a animação, também aumentam os desafios relacionados à convivência, ao barulho, à segurança e ao uso das áreas comuns, sobretudo porque, nesta copa, os horários não serão nada convencionais, muitos durante a noite.  Fica a cargo do síndico administrar, de preferência de forma preventiva, eventuais conflitos.

Apesar do momento festivo, a legislação condominial continua valendo normalmente durante o período da competição. O Código Civil prevê que o morador não pode utilizar sua unidade de maneira prejudicial ao sossego, à segurança e à saúde dos demais condôminos. Pode haver certa flexibilidade em horários durante os jogos, desde que exista bom senso e, em alguns casos, aprovação prévia em assembleia. No entanto, essa flexibilização não significa liberdade para excessos sonoros ou comportamentos que coloquem em risco a segurança coletiva.

Entre os principais pontos de atenção estão o aumento do volume de som, o uso intenso das áreas comuns e a circulação de visitantes. Salões de festas, espaços gourmet e áreas de lazer costumam ter alta procura durante os jogos e exigem organização antecipada, controle de lotação e respeito aos horários estabelecidos pelo condomínio.

Vale destacar que a responsabilidade sobre convidados é do morador, que responde pelas atitudes de seus visitantes em casos de danos, excesso de barulho ou descumprimento das normas internas, com a possibilidade de gerar multas.

Ações que continuam proibidas independentemente da ocasião:

  • Soltar fogos de artifício;
  • Utilizar vuvuzelas, cornetas e equipamentos com ruído excessivo;
  • Exceder o volume sonoro;
  • Utilizar garrafas de vidro em áreas de piscina;
  • Ultrapassar limites de convidados definidos pelo condomínio;
  • Respeitar com rigor as regras do controle de acesso.

Alguns condomínios podem querer flexibilizar a colocação de bandeiras nas sacadas (desde que acordada previamente, em assembleia). Mas atenção! Não é aconselhável, pois, se há permissão na Copa, quando chegar as eleições, em que a polarização protagoniza as discussões, a situação pode se complicar.

Para fortalecer a convivência entre os moradores, ações como transmissões coletivas dos jogos, troca de figurinhas entre crianças e integração nas áreas comuns podem ser incentivadas, sempre respeitando as regras do condomínio.

A recomendação aos síndicos e administradoras é investir em comunicação preventiva e orientação clara antes do início da competição. Informativos, canais oficiais de comunicação e regras previamente definidas ajudam a reduzir conflitos e tornam o ambiente mais harmonioso durante o evento.

A Copa é um momento de celebração e união, mas o equilíbrio entre diversão e respeito continua sendo essencial para garantir a boa convivência dentro dos condomínios.

*Rosely Schwartz é Administradora especialista em condomínios há mais de 30 anos, contabilista, autora do livro Revolucionando o Condomínio – 16ª ed. (Ed. Benvirá); é também autora e docente dos cursos de Administração de Condomínios e Síndico Profissional na FECAP com transmissão ao vivo e do curso 100% Online de OCondomínio. Coordena o GEAC (Grupo de Excelência e Administração de Condomínios do CRA-SP).

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