Guarujá-SP discute nova lei para guarda-sol
AMARÍLIS LAGE
ENVIADA ESPECIAL AO GUARUJÁ
A expressão "lutar por um lugar ao sol" ganhou um novo sentido no Guarujá, no litoral de São Paulo, onde condomínios e quiosqueiros disputam cada palmo de areia com mesas e guarda-sóis.
Nesta semana, o "empurra-empurra" deve ganhar novas regras. A Prefeitura do Guarujá e a Associação dos Quiosqueiros do Guarujá elaboraram um novo regulamento para a instalação de mesas e guarda-sóis de quiosques na praia da Enseada, uma das mais movimentadas da cidade.
Se aprovada pelo prefeito Farid Said Madi (PDT), que deve analisar o projeto até quarta-feira, a proposta mais do que duplica o número de guarda-sóis que os quiosqueiros podem instalar.
A proposta autoriza cada quiosque da Enseada a ter mais 30 guarda-sóis, acompanhados de duas cadeiras e uma mini-mesa cada um. No total, seriam 1.650 kits desses na praia, de sete quilômetros de extensão.
Um decreto de 1995 autoriza cada quiosque a instalar 25 mesas, com quatro cadeiras e um guarda-sol cada uma. Para o vice-prefeito, José Rodrigues Tucunduva Neto, a regra não é seguida por parte dos 55 quiosques da praia. "Há uns com quase cem mesas."
Os quiosqueiros acham o número atual insuficiente. A cidade, de 292 mil habitantes, deve receber 300 mil pessoas no fim do ano.
Tucunduva Neto diz que os conjuntos com mini-mesas incomodam menos que as mesas grandes, que continuarão restritas a 25 por quiosque. Além disso, os "kits" deverão ser desmontados quando não estiverem sendo utilizados por um banhista.
Segundo ele, a prefeitura intensificará a fiscalização -serão 50 fiscais nesta temporada. "Isso foi algo acordado com os quiosqueiros." Os equipamentos irregulares serão apreendidos.
Outra proposta é que os quiosques, que hoje só podem ter mesas no deque e a uma distância máxima de 20 metros dele, possam usar a área perto do mar, hoje usada por condomínios da orla.
"Há um problema com os condomínios. Os funcionários dos prédios enchem a praia de guarda-sol, mesmo que só três moradores apareçam", diz a presidente da associação dos quiosqueiros, Marta Santana, 49. Ontem, na Enseada, havia vários guarda-sóis, fechados, de prédios.
O mesmo ocorre em Pitangueiras, praia que não será atingida pela medida. "Se um cliente quiser sentar perto do mar, a gente não pode colocar, pois o pessoal do prédio briga", diz Bernadete Silva, que vende lanches.
O industrial Sid Maraia, 65, cujo condomínio oferece guarda-sóis, é contra a proposta. "Não vai ter espaço para mais guarda-sol. Quem tem apartamento paga imposto, diferentemente de quem só passa o fim de semana." Quem não tem essa estrutura aprova a idéia. "Dará mais conforto", diz a professora Vera Guimarães.
Segundo o vice-prefeito, a prefeitura não estuda alterar a utilização que os prédios fazem da praia. "É possível conciliar as coisas. Na praia da Enseada, a faixa de areia é larga e cabe todo mundo."
Djanir Soares, 48, morador do Guarujá, critica tanto a ação dos condomínios como a dos quiosques. "A praia não pode ser privatizada." Ele já teve de tirar a cadeira e o guarda-sol de alguns lugares porque eram áreas "reservadas".
FONTE: Folha de São Paulo