CEF (Caixa Econômica Federal) flexibiliza regra de financiamento
29/07/05

CASA PRÓPRIA – Banco agora aprova crédito para quem tem dívidas pendentes e permite negociar prazos e valores
A CEF (Caixa Econômica Federal) anunciou, na última segunda-feira, medidas que prometem diminuir a burocracia para quem pretende obter financiamento para comprar imóveis.
Todas já estão valendo, e a principal delas diz respeito a quem tem o nome sujo no cadastro de entidades de proteção ao crédito, como a Serasa. Antes, o crédito não era disponibilizado para pessoas com esse tipo de mácula, diz Flávio Prando, 48, diretor de Programas Habitacionais do Secovi-SP (sindicato da habitação de São Paulo).
Agora, o banco concede uma pré-aprovação do crédito, mas só libera o dinheiro depois que o candidato quitar as dívidas e regularizar sua situação.
Outra mudança é na entrevista de crédito, que eliminou perguntas sobre dados que exigem comprovação. Assim, a aprovação ou a negativa passa a ser imediata. Se uma proposta é recusada, o candidato tem a opção de mudar valores e prazos para conseguir o financiamento.
"Éramos mais detalhistas a respeito da composição dos gastos familiares", explica Augusto Bandeira Vargas, 49, superintendente institucional de negócios de São Paulo da CEF. "Passamos a considerar efetivamente despesas com aluguel, condomínio e pensão alimentícia. Em dez minutos, o candidato já tem um retorno."
Influência nos bancos
Vargas afirma que o objetivo dessas novas medidas tomadas pela instituição foi "tornar o processo mais simples para executar o orçamento habitacional de 2005, de R$ 10 bilhões". "Com as medidas, diminuirão o tempo de atendimento e os custos para realizá-lo", pondera.
A iniciativa pode incentivar outros bancos a desburocratizar a contratação de financiamentos. "Ela sempre abriu caminho", diz Marcos Cardoso, 26, gerente de atendimento da Ammesp (Associação de Moradores e Mutuários do Estado de São Paulo).
Para Prando, esse é um pontapé inicial. "Falta reduzir o valor das prestações e ampliar o prazo do financiamento. Em outros países, é comum o prazo de 30 anos, o que reduz a parcela e a renda necessária para pagá-las.”
Os bancos, por sua vez, dizem que não há possibilidade de alterar esses parâmetros tão cedo. Atualmente, em média, os planos de crédito prevêem um prazo de 15 anos --excepcionalmente 20--, um comprometimento de renda de 25% e uma porcentagem de financiamento de 70% a 80% do valor de avaliação do imóvel.
"Vai acontecer em um prazo de tempo maior", calcula Décio Tenerello, presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
"Depende da evolução da economia. Se o PIB crescer 4% ao ano por quatro ou cinco anos seguidos, haverá um aumento do número de pessoas com capacidade de assumir um financiamento, o que poderá mudar as condições de contratação."
No caminho da desburocratização, a Abecip estuda, com a Anoreg (Associação dos Notários e Registradores), a concentração de todo tipo de certidão negativa relacionada ao imóvel pretendido em um só documento, o de matrícula do bem no cartório de registro. Isso só deve ser viabilizado em 2006. Fonte: Folha de S.Paulo

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